Friday, December 23, 2011

Enquanto isso, na Era Maia, há uns 2000 anos...

“Kgtnum malacikuon nkgghtser outoracán  (para melhor entendimento do leitor, e após usar um excelente tradutor da internet, vamos escrever este monólogo em Língua Portuguesa. Do começo:)

“Ah, que isso, tá começando a ficar pesado esse meu trabalho... Em plena véspera do maior feriado Maia, a grande celebração no Templo Kulkucãn e eu aqui, escrevendo esse bendito calendário! Aff! E o pior é que faltam muitos mil anos para o Homem inventar algo mais rápido, tipo um... ah, sei lá, algo que você possa computar informações, um computador ou algo do tipo. Quanta injustiça! Já estamos na quinta era, somos o quinto povo iluminado pelo sol e ainda não se tocaram que trabalhar às vésperas de um grande feriado, não rende muito... Ainda mais um trabalho maçante que nem o meu: escrever calendário...

Bom, bem que minha mãe falava para eu estudar mais, me tornar um Astrônomo famoso. Desses que preveram o alinhamento da terra no centro da via Láctea em 2012. Ai ai... Isso deve assustar muita gente no futuro. Aff, nada de mais! É só a terra se movimentando e blá blá blá. Bom, mas o carinha aqui que descobriu isso ficou famoso e tudo. Foi até num programa de Entrevista: “Os Deuses querem saber”, com aquela apresentadora, Kolun Macatán.

Não que o meu trabalho não seja valioso. Esse calendário é muito complexo, mas sempre totalizam 365 dias. Aliás, já tá mais do que na hora de alguma pessoa, um Papa talvez simplificar esse negócio aqui. Sei lá, com uns numeruzinhos, dar algum nome ao conjunto de 30 ou 31 dias, enfim! Esses desenhinhos aqui são muito complicados e o processo que nos leva a compor os 365 dias são quase impossíveis! É... eu sou importante...

Ai, nossa, ta difícil isso aqui! 15 de Dezembro de 2012, 16 de Dezembro de 2012... Ai, por Gucumatz! Por Tepeu! Por todos os deuses! Quero meu feriadoooooo. Vem nimim feriado! Vem nimim... To cansado... 19 de dezembro de 2012. 20 de dezembro de 2012... Ah, blagh! Quer saber? Vou parando por aqui, que eu ganho mais! Ninguém vai querer conferir este calendário mesmo. Além do mais, duvido muito que meu chefe esteja vivo em 2012 para perceber que parei o calendário por aqui hehehe... Ah, que os outros povos o completem, ou o modifiquem, ou que pensem que o mundo vai acabar, sei lá...”

Wednesday, November 16, 2011

Programa de Índio

Campinas. Feriado. Tarde chuvosa. O que fazer? Uma boa parte da cidade decide procurar um dos vários shoppings da cidade para tomar um lanche... para ir ao cinema... para jogar conversa fiada com os amigos ou... sei lá-pra-quê. O fato chega a ser curioso, pois a nem a fila imensa no portão de entrada é capaz de afugentar os frequentadores, tampouco o congestionamento do estacionamento (a rima é até bonitinha, mas não há beleza alguma na prática), muito menos a fila do cinema, do lanche, da espera por uma mesa maior, a fila para validar (pagando-se, óbvio) o ticket de saída... Enfim, são tantos os motivos que me afastaram deste centro comercial por meses que, num momento insano tive a brilhante ideia de assistir ao psicótico "A pela que habito". Sabia o que ia enfrentar, mas, enfim... Uma vez só não faz mal. Tudo bem que dos vários guichês de antedimento no cinema, menos da metada funcionava. Tudo bem que das 4 máquinas de autoatendimento para comprar as entradas, somente duas operassem (aliás, uma apenas precisava de uma rélis bobininha de papel...). Tudo bem. É Almodovar! Vale a pena. E teria valido mesmo, não fosse pela saída conturbada do Shopping. Na saída, para aquela multidão, apenas 3 máquinas para validar o ticket do estacionamento. Não fazia diferença ser gestante, ter bebês no colo ou mais de 65 anos. Todos eram iguais e estavam à mercê das maquininhas que, vira-e-mexe, resolvem emperrar. Na longa fila que estive, fui informada, quando só faltavam umas duas pessoas antes de mim, que a máquina, embora informasse o contrário, não aceitava nada além de notas de dois reais ou moedas de um real. POr sorte, remexi a bolsa e encontrei as notas; outros não tiveram a mesma sorte e foram se aventurar em outra fila. Depois, a máquina emperrou. Engoliu um cartão e demonstrava que não largaria de jeito nenhum! Resolvi não deixar o shopping estragar minha beleza e rumei com meu namorado para uma outra entrada. Pelo menos não chovia e fomos caminhando por fora. FInalmente, após mais uma fila conseguimos exercer nosso direito (ou dever, nem sei mais) de pagar o estacionamento e sair dali. Que saudades do Windsor, Bristol, Jequitibás... Viraram igreja. Talvez seja bom passar para dar uma rezadinha para que algumas pessoas vejam a luz do bom senso.

Thursday, November 10, 2011

Eu também quero falar sobre o episódio da USP

Numa guerra há quem esteja  errado ou certo? Não. Óbvio. Cada um defende o que julga ser a verdade. Palavra chata e incômoda. Deveria ser banida de todas as línguas de nossa singela humanidade. Uns se sentem perseguidos; outros que devem perseguir. Mas cada um, cada grupo, com sua inquebrável verdade. Que ilusão pensar que autenticidade existe. Quebrar um prédio, enfrentar polícia, fazer um cartaz e ter um blog (como este, diga-se de passagem)...; Prender alunos, ser da polícia, dar entrevisat e fazer discurso...Ninguém tem um pensamento puro. Refletimos vozes, pensamentos e ideologias. Ninguém, em tempo algum, criou um pensamento único, inédito, puro de influências. O que se faz, todo o tempo é escolher uma corrente, ou um lado, uma estrada. Mas ninguém caminha sozinho. Claro, há quem se sinta vítima de uma perseguição platônica , se sinta um ser só lutando contra o famigerado “sistema”, ignorando de que, com isso, se torna ainda mais parte dele.

Por que sempre querem eleger o lado vencedor e perdedor? Mais uma vez: o certo e o errado? O bom e mau? Quem vai pro céu e quem vai pro inferno? Não gosto de alguns antônimos... São praticamente dêiticos  porque a todo o tempo mudam de lado, mudam de dono, mudam e se confundem. Assim como os conceitos... Nenhum dicionário dá conta de estabelecer significado para o que é distorcido e relativizado em favorecimento próprio. Afinal, o que é segurança? O que é protestar? O que é justiça? Estudiosos vão morrer tentando explicar e nem entre si concordarão. Cada um com sua linha. Ah, sim... E discussões conceituais não vêm de hoje. Com um pouco mais de inteligência os grandes filósofos da era clássica faziam isso. Passavam um bom tempo explorando possibilidades para conceituar os mesmos temas complexos que seguimos pensando entender. E a conclusão mais sensata que um certo Sócrates (não o jogador de futebol) chegou parece esquecida no meio dos grandes conflitos: “só sei que nada sei”.

O que acho mais interessante sobre a VERDADE (dos fatos, das coisas, da história etc etc etc), e agora é a minha vez de mostrar um pouco da minha, mesmo sem ter a intenção de convencer qualquer outro ser-com-suas-verdades a acreditar no que digo, é que se faz muito barulho pra pouca atitude. Sócrates preferiu beber um cálice de veneno para defender o que acreditava.Quem tomaria este cálice por sua verdade? O Governador? A polícia? Os estudantes da USP? Eu?

Thursday, September 15, 2011

Fabricação 1985/ Modelo 2012

Aprender a dançar.
Aprender a nadar.
Aprender a tocar flauta
Aprender estacionar o carro
Correr mais
Festejar mais
Sorrir mais
Tolerar mais
Reclamar menos
Trabalhar menos
Desperdiçar menos
Esperar menos
Ler melhor
Escrever melhor
Ouvir melhor
Ser melhor

Ser a inspiração de alguém
Ouvir história dos idosos
Escrever para quem merece
Ler o que me faz feliz
Esperar só o que depende de mim
Desperdiçar as críticas infundadas
Trabalhar mais pelo outro
Reclamar mais por meus direito
Tolerar as palavras amargas
Sorrir pro sol e pra chuva também
Festejar com quem vale a pena
Correr atrás do que acredito
Aprender o que são 200 Km
Aprender que há vários mundos no mundo
Aprender a enxergar os meus tesouros
Aprender a dizer as coisas simples que desejo

Wednesday, September 14, 2011

Nem morto... mesmo!

A vida aqui no cemitério é muito sossegada. Vem um ou outro me visitar, com aquelas florzinhas-fedidas-de-difundo. Poxa, bem que podiam trazer um chocolatinho, uma cervejinha... Tá certo que agora eu literalmente sou um saco sem fundo (hahahah!!) e daí a comida vara pro chão, mas só o cheirinho já seria ótimo.
Os meus novos amigos? O pessoal aqui é legal, sim. Tá certo que tem uns metido a besta e tudo, mas são coisas da vida - ou da morte. Levei foi é sorte de não ter nenhum parente meu por aqui. Por pouco não virava vizinho do meu cunhado lá nos Amarais, vejam só.

Agora, quem mais me espanta por aqui é o Dr. Lucas. Aliás, nem sei sei é Dr. de hospital, Dr. da justiça, ou Dr. de nascença mesmo. É assim que ele gosta de ser chamado. Chegou faz pouco, trazido por um cortejo muito elegante da alta sociedade. A nova casa dele é até bonita, mas ele divide o espaço de granito com mais umas par de gente. Tão meio amontoados, na verdade. Deve ser por isso que o coitado reclama dia e noite. Sente falta da vida que tinha. Morava numa casona e não dividia nada com ninguem. E o pior é que o coitado nem tinha tempo de desfrutar a piscina, a churrasqueira e o cinema que ficavam dentro da mansão. Sei lá o que fazia, mas dizem que trabalhava muito e estava sempre sozinho porque a mulher e os filhos estavam preenchendo o tempo no estrangeiro. É um cara curioso, esse Dr. Lucaas. Passa o dia inteiro observando as outras almas penadas, como se a gente fosse um bicho estranho, sei lá. Somos só pessoas mortas! Simples assim. E ele fica pedindo as coisas, quer que a D. Luiza limpre o seu túmulo, que o Seu Florêncio organize as flores, e que a Andreia, uma moça cantora, cante pra ele... Só não fala com os coveiros porque sabe que não podem ouvir o que falamos.

É claro que ninguém dá bola, afinal estamos mais preocupados em descansar em paz, óbvio. Não, não é chato aqui não. Visitamos uns aos outros e gostamos de sentar à noite pra contar nossas histórias: nossas famílias, nossas conquistas, nosso legado. Tudo o que deixamos pra trás. Boas lembraças. Dr. Lucas não particpa. Ou ele não lembra ou não tem o que dizer, como diz seu vozinho. Às vezes eu até penso em ir conversar com ele. Trocar umas ideias. Um dia até tentei puxar um assunto, mas o sujeito é arrogante que só. Tudo porque sou uma alminha que teve vida simples... Agora isso não faz mais diferença. Curioso que mesmo os menos inteligentes se dão conta que por aqui o dinheiro, a vaidade e o poder não importam. Somos iguais deste lado; todos dormimos debaixo da terra.

Hiiiii, lá vai ele gritar de novo com Seu Florêncio. Quer exigir que ele pegue as folhas secas do vasinho que deixaram já há mais de um mês. Bom, Dr. Lucas deve ser desses homens fortes, que não desistem nem depois de morto.

Saturday, September 3, 2011

Fidelidade

Se tivesse eu sido fiel ao teu segredo teria evitado muito sofrimento:
O seu, que ficou anos calada, a amargar a traição do segredo
O meu, por me ver sem dois bens preciosos
E o do segredo, por ter em algum momento sido revelado

Monday, August 29, 2011

Resumo do domingo

O macarrão azedou
O gato me arranhou
O time do coração perdeu
Dom Bruno morreu
(E um sonho de fim-de-semana também!)
Cheguei à seguinte conclusão:
Coincidência é deixar de ser a pessoa certa na hora errada
...
Mas amanhã... Algo e novo e bom ainda pode acontecer!