Contra violência se usou violência
Contra a natureza se usou a mão
Destruição da vida sem complacência
Marcando a era da contradição
De sua essência o homem fez ciência
Numa busca por compreensão
Troca compaixão por paciência
Troca sentimento por omissão
Mas eis que vem surgindo um tempo
Em que o pensamento é reconstrução
Mundar e semear a Terra já é o momento:
Agora é mãoes com mãos
Mãos com mãos podem ser um auxílio
Mãos com mãoes podem ser oração
Mãos com mãos podem ser um caminho
Mãos com mãos podem ser união
Não é queda de braço,
Não é mais violência
Não é truque de mágica
Não é competição
É a preseça da Força do Universo
Que também nos dá a sua mão
Melhorar e preservar a vida: missão de todos
Natureza salva, um mundo novo
Proteção, sem pretensão, pressão ou fronteiras
Nossa realidade será uma nova estrada
Mãos com mãos podem ser cumprimento
Mãos com mãos podem ser uma senha
Mãos com mãos podem ser brincadeira
Mãos com mãos podem ser um momento
De aceitar um amigo, de acender a esperança
Recriar a plena harmonia, repensar uma aliança
E na nova era que agora nasce
Existe espaço, tempo, oportunidade
Ambiente e homem, o novo e o velho, agora face a face
Cada um com sua responsabilidade
De sua essência o homem fez ciência
Numa busca por compreensão
Mas com a liberdade perceberemos que somos iguais, irmãos
E eis que vem surgindo um tempo em que o pensamento é de revolução
Cultivar vida plena já é o momento:
Agora é mãos com mãos
Eu posso estar em qualquer lugar; em meio ao barulho, em meio a conversas ou apenas em silêncio... As palavras surgem e pedem para ganhar espaço. Quero aqui compartilhá-las. São sobre a vida, sobre como a vejo e a percebo; são sobre pessoas que passaram pela minha própria vida e deixaram boas marcas. São coisas sobre os sentimentos ou comportamento e coisas sobre nada também... Escrevo coisas que às vezes nem eu mesma entendo. Quem sabe você não consegue?
Thursday, December 13, 2012
Monday, December 3, 2012
Crônica num restaurante da Liberdade
Ultimamente tenho pensado muito no que quero. No que espero como felicidade. Onde encontrá-la. Houve fases em que achei que ela estivesse nas roupas e, por isso, deduzia que quanto mais cara, mais felicidade haveria nela. Com o tempo, não notei diferença em meu estado de espírito e parti pra outra. Roupas não estavam com nada mesmo. Pelo menos, de guarda-roupa renovado com as melhores marcas do mercado, tinha conseguido uma vantagem sobre as demais pessoas e eu adoro uma vantagem...
Depois de algum tempo tentando equilibrar o pagamento das faturas do cartão de crédito, decidi iniciar uma programação de viagens. Pensei em alguns destinos mais exóticos, como Burkina Faso, ou algo mais próximo como Curitiba, mas as pessoas não iam conhecer ou não iam achar nada sofisticado estar numa capital do sul brasileiro (ainda se fosse o caro nordeste). Fiz uma lista pelos países mais desejados da Europa. Sim, porque as pessoas sentiriam inveja de mim, da minha felicidade ao conhecer tantos lugares lindos e deslumbrantes! E, se as pessoas acreditam que eu estou feliz, por que raios eu não posso acreditar também? Peguei um cartão novo e financiei minha viagem. Foi bacana e tudo, mas nada mudou em mim.
Ah, mas quando retornei da Europa, vi que meus amigos estavam em outra onda: saindo com garotas lindas e contando vantagem uns para os outros. Como estavam felizes, e como tirar vantagem é comigo mesmo, decidi que este seria meu novo passatempo: conquistar meninas, as mais cobiçadas do nosso meio! Bonito eu já sou, só precisaria encontrar uma forma de impressionar minha presa. As garotas gostam desses presentes caros, bons restaurantes com contas altas pra pagar no final... Sem falar que com meu investimento em viagem, cultura é que não me falta. Poderia me mostrar o mais entendido em culinária mundial e falar sobre minhas diversas experiências no velho mundo. Claro que não descreveria os dias perdidos por conta de ressaca e nem as verdadeiras situações embaraçosas pelas quais passsei por falta de idioma. Nunca gostei de estudar, afinal, o importante não é o quanto se sabe, mas o quanto você demonstra saber, não é mesmo? Bom, parti para minha caça numa noite agradável. Escolhi minha vítima. Era linda. E já tinha dispensado um monte de amigo meu. Fiz uma ceninha, mas não a convidei pra sair logo de cara. Pesquei que a mina gostava de vinho e tratei de pesquisar algo no meu grande instrutor Google. Tratei de decorar o nome de um vinho chique e numa outra oportunidade marquei nosso encontro. Meu carro não estava lá grandes coisas, mas já poderia explicar que em breve o trocaria, pois havia quitado o possante há apenas algumas semanas (claro que esse detalhe eu deixaria de fora). E lá fomos nós! Nem quis olhar no cardápio. Me fiz logo de “O” entendido e pedi a tal garrafa de Errrmitagê La Chapelê. Já tinha pesquisado também o que combinava com a bebida e dei a sugestão pra garota, que ficou totalmente impressionada com meus conhecimentos.
Conversa vai, risinhos, energia gracinha e eu estava certo que no dia seguinte poderia ligar para toda a galera contando sobre meu feito, ou melhor, minha fácil conquista. Mas eis que vem a conta. Quase dei um salto da cadeira e saí correndo. Após umas cinco linhas com a descrição do consumo, o valor absurdo de quarenta mil reais aparecia. “Deve haver algum engano”. Comentei com o garçon quase como uma súplica de socorro. “Senhor, há oito garrafas no mundo do incrível Hermitage La Chapelle. Bem, agora há seis, pois o senhor acaba de consumir duas. Não há qualquer engano.” Não tive o que fazer. Deixei o carro e o a diferença ainda passei em um dos meus cartões de crédito que não estava estourado. Fiquei a pé. Sem a garota e sem dinheiro. R$ 40 mil! E olha que o vinho nem era tão bom assim...
Wednesday, November 28, 2012
As coisas mais importantes da vida
Há dias em que queremos apenas um colo pra deitar, um peito para repousar a cabeça cansada... Há dias em que apenas queremos uma tarde para uma caminhada com a pessoa certa ao lado segurando em nossa mão, um sorvete no banco da praça, um olhar para o céu chuvoso ou estrelado. Há certos dias em que a comida mais simples é a desejada porque vamos saboreá-la na melhor companhia, e depois dividiremos o cafezinho, a bolachinha que derrete na boca... Há dias em que queremos ler um bom livro, só para depois contar como a história estava boa e dar boas risadas juntos, ou discutir o tema sério abordado... Há dias em que apenas queremos sair por aí, sem destino, sem planos, só com a mochila nas costas e nosso amor como guia... Há certos dias... Há certos dias em que levantamos da cama e, como num passe de mágicas, nos damos conta de que essas são as coisas mais importantes da vida.
Friday, November 2, 2012
Homônimos e Parônimos
O que eu mais quero nesta vida
É acender uma boa idéia
Para ascender na profissão
Usaria uma broxa e então pintaria
Talvez uma brocha e pregaria, então
Sei que se muito eu sevar
Vou cevar todos os meus sonhos
Mas não quero me cegar
E minha essência não vou segar
Um dia, como um Xá eu vou estar
Em meu palácio tomando chá
Nunca caçado, tampouco cassado
Estático em minha posição, posso
Ficar extático em meus pensamentos
Tudo poderia: taxar para o luxo manter;
Tachar para conservar todo o meu poder
Agora vou pegar aquela velha maça
Misturar tudo e fazer uma massa só
Mas sou um cara decente que
Descende de família eminente,
Sem qualquer iminente mal
Afinal, o meu único pleito
É para que um dia te faça um preito
E torne sorte o que hoje é azar
Para enfim desejar o teu corpo inteiro
Sem medo, sem temor, sem receio
O que mais desejo nesta vida
É ter um assessório para me orientar
A escolher sempre o melhor acessório
Pois não sei se me serviria o aço
Ou se asso o que não mais quero
Já também não sei onde pôr o acento
E naquele assento fico a esperar
Uma pessoa tão sédula que consiga
Me enxergar além do que é cédula
Pois tudo agora parece forte cerração
Com uma serração quase a me recortar
Talvez seja apenas uma sessão de nostalgia
Sem cessão de alegria na seção da euforia
E minha última esperança é ir ao concerto
Para ver se conserto tudo o que não sou
Mas sou um cara decente que
Descende de família eminente,
Sem qualquer iminente mal
Afinal, o meu único pleito
É para que um dia te faça um preito
E torne sorte o que hoje é azar
Para enfim desejar o teu corpo inteiro
Sem medo, sem temor, sem receio
A mulher que conheci
Certa vez conheci uma mulher muito doce e que tinha o amor no olhar. Ela nunca precisou falar muito comigo, pois só do jeito dos seus olhos percorrerem os meus, já conseguia adivinhar o que ela queria de mim. Era uma mulher muito sonhadora, que adorava escrever os seus pensamentos em papel, muitas vezes, se permitindo espalhá-los pela casa inteira. Mas era tão transparente e tinha atitudes tão concretas que sempre era possível ter a certeza do que ela pensava. Tinha uma simplicidade tão admirável... Não me lembro de tê-la visto reclamar de suas más condições financeiras ou por não poder ter algo material. O seu único sonho de cunho materialista era ter uma casa; não uma mansão, nem um barraco: uma casa digna onde pudesse manter-se como dona. Aliás, não sei se conhecerei uma mulher tão dedicada à família como esta. E não era obrigação, pois, por vezes, houve possibilidade de deixar de ser uma “dona-de-casa”, mas era uma vontade de cuidar da família, de ter certeza de que todos comeram bem, e estavam vestindo as roupas mais limpas do mundo ou, ainda, se estavam confortáveis em casa. Realmente, era uma mulher encantadora e conquistava a todos com o seu jeito sincero de ser. Estava sempre rodeada de gente por isso. Não houve nada nesta vida que esta mulher não tenha perdoado. Logicamente, houve quem a tenha magoado, talvez até sem intenção, ou por achar que haveria um tempo posterior para desculpar-se ou mudar de atitude com ela. Mas em seu último olhar, o qual presenciei, havia um amor maior ainda, como se estivesse fazendo, de alguma forma, um último sacrifício por aqueles a quem tanto amava. Aos domingos havia um encontro secreto no quarto desta mulher. Seus filhos e esposo ficavam horas amontoados na mesma cama contando os fatos da semana. E, quando necessário, esta mulher mostrava toda a sua sabedoria. Obviamente ela tinha muitos defeitos, mas de tão pequenos, os considero descartáveis. Também me iludi achando que teria mais tempo de aproveitar todo aquele carinho, aquela sabedoria, aquele amor... Arrependo-me de não ter investido mais tempo com esta mulher tão maravilhosa. Hoje, há tantas perguntas sem respostas, tantos conselhos mudos... Sinto-me muito desprotegida sem a força e a garra desta mulher. Mas não, não posso reclamar ou me lamentar. Jamais. Jamais quero decepcionar uma mulher que mesmo com dois braços quebrados aprendeu a bordar; que tendo três meses de vida, tinha uma esperança infinita de viver; que em seu leito de morte cantou uma última canção ao invés de chorar. Ela se foi com sua fé inabalável, com sua força inconfundível e com sua coragem imensa. Já são tantos anos, mas ainda me pego preparando homenagens “de dia das mães” para esta mulher que fez muito mais do que me trazer ao mundo.
Thursday, November 1, 2012
Eu gosto do que eu sou
Eu gosto do que me tornei.
Quando me olho no espelho vejo as marcas
Dos caminhos que me levaram até você
Gosto das coisas que li, do que estudei
Gosto do que ainda preciso ler e estudar
Valorizo as pessoas que passaram por minha estrada
E me fizeram bem ou me fizeram mal
Todas me fizeram melhor
Todas me ajudaram a escolher
Um caminho que me levou até você
Eu gosto de ver como fiquei
A tranquilidade, mesmo tendo efrentado
Tempestastes sem ter abrigo firme
A alegria, mesmo tendo visto cenas tristes
Enquanto eu andava sobre pedras
O amor, mesmo vivenciando
Momentos de desesperanças
Eu gosto do que sou
Gosto do que sei e do que eu não sei
O que sei posso compartilhar,
O que não sei você me ensina
A cada dia, a cada momento, a cada respiração
Monday, October 8, 2012
O bom é sentar-se dos dois lados
A única coisa que espero é que, durante a viagem, eu não me esqueça de olhar pela janela e observar a paisagem. Tem vida nela! Tem paixão e cor. Talvez o destino nem será tudo o que eu imaginava, mas o caminho... O caminho me reserva surpresas. No caminho posso parar. Descansar. Refletir sobre onde chegarei. Quando encontrar o ponto final, terei muito a fazer! Os livros em que pesquisei não falam do percurso; falam da chegada. As pessoas passaram por ali com tanta pressa, afoitas pelo fim da viagem, esquecendo-se de visulumbrar as belezas do trajeto. Eu não! Quero ir bem vagarosamente. Quero conseguir distinguir cada detalhe, cada rosto, cada sensação que por mim passar (ou por que eu passe)... Afinal, o que farei ao chegar? Não sei ao certo. O que sei é que no retorno também quero ficar bem atenta aos novos cenários que se formarão por eu estar sentada do outro lado...
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