Apoderar-se de si
Recombinando atos
Não sou quem estou aqui
Sou um instante passo
Cada um, cada qual
Resgatar o júbilo
Existir, ser plural
Repartir o acúmulo
Apoderar-se de si
Remediando passos
Convergir no olhar
Nosso brio e fúria
Conceber, conservar
Aguerrida entrega
Nesse nosso desbravar
Emanemo-nos amor
Até quando suceder
De silenciar
O que nos trouxe até aqui
Nada melhor virá...
Eu posso estar em qualquer lugar; em meio ao barulho, em meio a conversas ou apenas em silêncio... As palavras surgem e pedem para ganhar espaço. Quero aqui compartilhá-las. São sobre a vida, sobre como a vejo e a percebo; são sobre pessoas que passaram pela minha própria vida e deixaram boas marcas. São coisas sobre os sentimentos ou comportamento e coisas sobre nada também... Escrevo coisas que às vezes nem eu mesma entendo. Quem sabe você não consegue?
Friday, February 3, 2012
Wednesday, February 1, 2012
Trocando umas ideias com meu sapo Thomas
Ontem enquanto dirigia ao som de “Transição”, pensando sobre alguns últimos acontecimentos, chateada e ao mesmo tempo ansiosa por respostas incertas que a vida talvez resolva me dar, o meu sapo Thomas, companheiro de aventuras sob quatro rodas, rompeu seu silêncio e começou a falar. Você é boba mesmo! Assustei-me. Thomas, por que você nunca falou comigo antes? Ah, eu sou mais observador. Gosto de ficar aqui de cima, olhando a luz das estrelas, o movimento bonito dos carros nas ruas, a traquilidade das sombras onde você estaciona e as crianças brincarem no prédio. Aliás, prefiro que você estacione de ré, assim posso ver melhor tudo isso. Eu gostei da simplicidade dele e continuei a conversa. Thomas, mas por que você está me chamando de boba? Minha cara, você está aí angustiada tentando advinhar pensamentos e decisões que não são suas, que fogem ao seu controle. Você já fez isso comigo, trazendo essa Joaninha metida para morar comigo. Não quero saber dela; prefiro paquerar as mariposas que vêm descansar no parabrisa de vez em quando. Aliás, eu acabo as atraindo com meu charme e simpatia. Uma voz final entrou na conversa. Era a Joana. Realmente, ele não quis assumir responsabilidades. Eu já era mãe de algumas joaninhas bagunceiras aqui e ele ainda é um sapo muito jovem para se amarrar.
Fiquei um minuto em silêncio, aguardando o que viria depois. O Thomas conitnuou sua linha de raciocínio: Então, acho que você quer ter controle sobre algo que é impossível. Não podemos mudar ninguém. Só podemos mudar a nós mesmos. Não é possível criar expectativas sobre os outros, mas apenas sobre nós. Pensar que o outro deve agir como nós agiríamos é procurar sofrimento. Mas Thomas, indaguei, eu preciso deixar claro o que eu espero dos outros, não? Sim, você deve. O que não se deve é esperar que, para satisfazer os seus anseios, o outro deixe de satisfazer os próprios. Fiquei mais triste e perguntei: Então tenho aqui um caso perdido, já posso desistir? Você nunca deve desistir do que acredita, mas não pode esperar que o outro se molde a você. O que pode acontecer, mas, por favor, não fique sonhando com isto, é o outro chegar a conclusão de que estar contigo é o maior desejo. Escolher ceder em alguns pontos para estar com você é o que vai fazê-lo feliz. Não queira que sejam feitos sacrifícios dolorosos, penosos, porque isto nunca dará certo. Você também fez isso, cedeu. E não foi doloroso porque o que te fazia verdadeiramente feliz não eram os conceitos nos quais você se agarrava, mas sim, o estar junto e, para isso, houve concessões, mas não sacrifícios, você tinha prazer em agradar.
Fiquei pensando um momento e questionei: Thomas, você acha que eu mereço passar por isso? Ele, muito sereno, prontamente respondeu: Não é questão de merecimento, mas de oportunidade. Oportunidade de ser melhor. Você está vivendo essa história de um lado que nunca tinha vivido antes. Está aprendendo que quando tomamos uma ação, outras pessoas são impactadas. Ninguém é responsável pela felicidade do outro, mas, plagiando um pouco, você é responsável pelo que cativa. Daqui pra frente, você será uma pessoa melhor, com certeza. E mais madura, parará de esperar tanto do outro. Em síntese, Thomas, questionei, o que devo fazer, então? Exercitar o dom da paciência, querida. Nada do que faça mudará qualquer decisão, simplesmente porque a decisão não é sua. As decisões que cabiam a você, já foram feitas e me orgulho disto. Achei que não pudesse.
Minha conclusão foi: Thomas, parece simples, mas é difícil aprender a esperar. Você não me parecia tão teimosa, Thomas elevou um pouco o tom de voz. Acaso não é melhor esperar uma fruta amadurecer a comê-la ainda verde? Dá dor de barriga, até! E, no mais, você já descobriu o grande segredo da vida. Você escolhe ser feliz todos os dias. Independente do que aconteça, sempre será assim. Mesmo que num dia seja mais difícil de sorrir do que em outros, quando você levanta, continue assim, optando pela felicidade. Bom, falei de mais por hoje e isso está me dando uma moleee....zzaaaa... Vou tirar uma soneca. A propósito, gosto desse CD!
Realmente, o Thomas é muito esperto...
Tuesday, January 31, 2012
Licensinha para uma canção alegrar nossa manhã
Eu encontrei quando não quis
Mais procurar o meu amor
E quanto levou foi pr'eu merecer
Antes um mês e eu já não sei
Mais procurar o meu amor
E quanto levou foi pr'eu merecer
Antes um mês e eu já não sei
E até quem me vê lendo o jornal
Na fila do pão, sabe que eu te encontrei
E ninguém dirá que é tarde demais
Que é tão diferente assim
Do nosso amor a gente é que sabe, pequena
Na fila do pão, sabe que eu te encontrei
E ninguém dirá que é tarde demais
Que é tão diferente assim
Do nosso amor a gente é que sabe, pequena
Ah vai!
Me diz o que é o sufoco que eu te mostro alguém
Afim de te acompanhar
E se o caso for de ir à praia eu levo essa casa numa sacola
Me diz o que é o sufoco que eu te mostro alguém
Afim de te acompanhar
E se o caso for de ir à praia eu levo essa casa numa sacola
Eu encontrei e quis duvidar
Tanto clichê deve não ser
Você me falou pr'eu não me preocupar
Ter fé e ver coragem no amor
Tanto clichê deve não ser
Você me falou pr'eu não me preocupar
Ter fé e ver coragem no amor
E só de te ver eu penso em trocar
A minha TV num jeito de te levar
A qualquer lugar que você queira
E ir onde o vento for
Que pra nós dois
Sair de casa já é se aventurar
A minha TV num jeito de te levar
A qualquer lugar que você queira
E ir onde o vento for
Que pra nós dois
Sair de casa já é se aventurar
Ah vai, me diz o que é o sossego
Que eu te mostro alguém a fim de te acompanhar
E se o tempo for te levar
Eu sigo essa hora e pego carona pra te acompanhar
http://www.youtube.com/watch?v=Dp-rVINSOhU
Que eu te mostro alguém a fim de te acompanhar
E se o tempo for te levar
Eu sigo essa hora e pego carona pra te acompanhar
Monday, January 30, 2012
O dia em que caiu um meteoro em meu jardim
Estava eu sozinho em minha sacada admirando o céu, em uma noite qualquer, daquelas em que me sento sozinho em minha sacada quando, um raio de luz despencou do alto, fazendo um barulho estrondoso em meu quintal escuro. Minhas fantasias da infância, o lego de astronauta, sonhos adormecidos e varridos pelo tempo, vieram à tona. Ofegante, cheguei ao jardim com minha lanterna, vasculhando em busca daquele objeto não-identificado. Se tive medo? Quem não tem medo dos sentimentos que não conhece? Quem não estremece ao sentir o coração bater mais acelerado e o sangue correr mais rápido em suas veias? Mas tinha que encarar. Remexendo em alguns pequenos arbustos mal cuidados, encontrei: era um meteoro! Uma pedra rochosa enviado pelos deuses! Aquilo devia de significar algo. Tratei de acolhê-lo em meu lar. Sim, uma pedra tão especial não pode ser tratada de qualquer maneira. Tratei de colocá-la pra dentro, junto a mim! Não me importava os riscos de estar lidando com uma coisa completamente diferente de mim, tampouco algo que trazia consigo marcas (e quiçá bactérias) desconhecidas. Eu só tinha vontade de acariciá-la e mantê-la por perto.
Não demorou nada para eu me acostumar dormir olhando pra pedra. Pra mim, ela significava proteção, sorte, bênção e todas as coisas boas desse mundo. Todas as coisas boas desse mundo bem ali, na minha casa, comigo. Ninguém poderia imaginar.
Não saia da minha cabeça os detalhes da noite em que chegara até mim. A luz que fez resplandecer sobre minha casa, os sentimentos e sensações que em minutos conseguiu despertar. Decidi que dela não me separaria mais. Seria meu amuleto, meu guia e minha companhia pra toda uma vida. O que? Levar a pedra para ser analisada? Não me agradava nada, embora muitos curiosos, quando eu ia à feira, ao mercado ou outro lugar público, insistissem em tocá-la e em me questionar se aquela história de guardá-la comigo daria certo. Nenhuma opinião me importava.
No café-da-manhã, no almoço e no jantar, ela estava comigo, de uma forma ou de outra. Eu gostava de cuidar dela. Limpá-la, expô-la um pouco ao sol para que ficasse mais linda e resplandecente!
Mas por que eu estou triste? Bem... fico sem graça de contar, na verdade. Queria poder voltar no tempo, mas já não é possível. Um dia, quando eu a estava lustrando, eis que a deixo escorregar, sacada abaixo. Ela bateu em algumas partes do telhado e, lá embaixo, deu de encontrar com uma outra de sua espécie, mas terrestre. E espatifou-se. Em milhões de pequeninos pedaços, tão pequenos que já não seria possível uma reconstrução. Se foi, meu meteoro. Com ele muitas coisas em mim também. É. A vida é assim: tudo acaba rápido, ainda mais o que um dia caiu do céu.
Friday, December 23, 2011
Enquanto isso, na Era Maia, há uns 2000 anos...
“Kgtnum malacikuon nkgghtser outoracán (para melhor entendimento do leitor, e após usar um excelente tradutor da internet, vamos escrever este monólogo em Língua Portuguesa. Do começo:)
“Ah, que isso, tá começando a ficar pesado esse meu trabalho... Em plena véspera do maior feriado Maia, a grande celebração no Templo Kulkucãn e eu aqui, escrevendo esse bendito calendário! Aff! E o pior é que faltam muitos mil anos para o Homem inventar algo mais rápido, tipo um... ah, sei lá, algo que você possa computar informações, um computador ou algo do tipo. Quanta injustiça! Já estamos na quinta era, somos o quinto povo iluminado pelo sol e ainda não se tocaram que trabalhar às vésperas de um grande feriado, não rende muito... Ainda mais um trabalho maçante que nem o meu: escrever calendário...
Bom, bem que minha mãe falava para eu estudar mais, me tornar um Astrônomo famoso. Desses que preveram o alinhamento da terra no centro da via Láctea em 2012. Ai ai... Isso deve assustar muita gente no futuro. Aff, nada de mais! É só a terra se movimentando e blá blá blá. Bom, mas o carinha aqui que descobriu isso ficou famoso e tudo. Foi até num programa de Entrevista: “Os Deuses querem saber”, com aquela apresentadora, Kolun Macatán.
Não que o meu trabalho não seja valioso. Esse calendário é muito complexo, mas sempre totalizam 365 dias. Aliás, já tá mais do que na hora de alguma pessoa, um Papa talvez simplificar esse negócio aqui. Sei lá, com uns numeruzinhos, dar algum nome ao conjunto de 30 ou 31 dias, enfim! Esses desenhinhos aqui são muito complicados e o processo que nos leva a compor os 365 dias são quase impossíveis! É... eu sou importante...
Ai, nossa, ta difícil isso aqui! 15 de Dezembro de 2012, 16 de Dezembro de 2012... Ai, por Gucumatz! Por Tepeu! Por todos os deuses! Quero meu feriadoooooo. Vem nimim feriado! Vem nimim... To cansado... 19 de dezembro de 2012. 20 de dezembro de 2012... Ah, blagh! Quer saber? Vou parando por aqui, que eu ganho mais! Ninguém vai querer conferir este calendário mesmo. Além do mais, duvido muito que meu chefe esteja vivo em 2012 para perceber que parei o calendário por aqui hehehe... Ah, que os outros povos o completem, ou o modifiquem, ou que pensem que o mundo vai acabar, sei lá...”
Wednesday, November 16, 2011
Programa de Índio
Campinas. Feriado. Tarde chuvosa. O que fazer? Uma boa parte da cidade decide procurar um dos vários shoppings da cidade para tomar um lanche... para ir ao cinema... para jogar conversa fiada com os amigos ou... sei lá-pra-quê. O fato chega a ser curioso, pois a nem a fila imensa no portão de entrada é capaz de afugentar os frequentadores, tampouco o congestionamento do estacionamento (a rima é até bonitinha, mas não há beleza alguma na prática), muito menos a fila do cinema, do lanche, da espera por uma mesa maior, a fila para validar (pagando-se, óbvio) o ticket de saída... Enfim, são tantos os motivos que me afastaram deste centro comercial por meses que, num momento insano tive a brilhante ideia de assistir ao psicótico "A pela que habito". Sabia o que ia enfrentar, mas, enfim... Uma vez só não faz mal. Tudo bem que dos vários guichês de antedimento no cinema, menos da metada funcionava. Tudo bem que das 4 máquinas de autoatendimento para comprar as entradas, somente duas operassem (aliás, uma apenas precisava de uma rélis bobininha de papel...). Tudo bem. É Almodovar! Vale a pena. E teria valido mesmo, não fosse pela saída conturbada do Shopping. Na saída, para aquela multidão, apenas 3 máquinas para validar o ticket do estacionamento. Não fazia diferença ser gestante, ter bebês no colo ou mais de 65 anos. Todos eram iguais e estavam à mercê das maquininhas que, vira-e-mexe, resolvem emperrar. Na longa fila que estive, fui informada, quando só faltavam umas duas pessoas antes de mim, que a máquina, embora informasse o contrário, não aceitava nada além de notas de dois reais ou moedas de um real. POr sorte, remexi a bolsa e encontrei as notas; outros não tiveram a mesma sorte e foram se aventurar em outra fila. Depois, a máquina emperrou. Engoliu um cartão e demonstrava que não largaria de jeito nenhum! Resolvi não deixar o shopping estragar minha beleza e rumei com meu namorado para uma outra entrada. Pelo menos não chovia e fomos caminhando por fora. FInalmente, após mais uma fila conseguimos exercer nosso direito (ou dever, nem sei mais) de pagar o estacionamento e sair dali. Que saudades do Windsor, Bristol, Jequitibás... Viraram igreja. Talvez seja bom passar para dar uma rezadinha para que algumas pessoas vejam a luz do bom senso.
Thursday, November 10, 2011
Eu também quero falar sobre o episódio da USP
Numa guerra há quem esteja errado ou certo? Não. Óbvio. Cada um defende o que julga ser a verdade. Palavra chata e incômoda. Deveria ser banida de todas as línguas de nossa singela humanidade. Uns se sentem perseguidos; outros que devem perseguir. Mas cada um, cada grupo, com sua inquebrável verdade. Que ilusão pensar que autenticidade existe. Quebrar um prédio, enfrentar polícia, fazer um cartaz e ter um blog (como este, diga-se de passagem)...; Prender alunos, ser da polícia, dar entrevisat e fazer discurso...Ninguém tem um pensamento puro. Refletimos vozes, pensamentos e ideologias. Ninguém, em tempo algum, criou um pensamento único, inédito, puro de influências. O que se faz, todo o tempo é escolher uma corrente, ou um lado, uma estrada. Mas ninguém caminha sozinho. Claro, há quem se sinta vítima de uma perseguição platônica , se sinta um ser só lutando contra o famigerado “sistema”, ignorando de que, com isso, se torna ainda mais parte dele.
Por que sempre querem eleger o lado vencedor e perdedor? Mais uma vez: o certo e o errado? O bom e mau? Quem vai pro céu e quem vai pro inferno? Não gosto de alguns antônimos... São praticamente dêiticos porque a todo o tempo mudam de lado, mudam de dono, mudam e se confundem. Assim como os conceitos... Nenhum dicionário dá conta de estabelecer significado para o que é distorcido e relativizado em favorecimento próprio. Afinal, o que é segurança? O que é protestar? O que é justiça? Estudiosos vão morrer tentando explicar e nem entre si concordarão. Cada um com sua linha. Ah, sim... E discussões conceituais não vêm de hoje. Com um pouco mais de inteligência os grandes filósofos da era clássica faziam isso. Passavam um bom tempo explorando possibilidades para conceituar os mesmos temas complexos que seguimos pensando entender. E a conclusão mais sensata que um certo Sócrates (não o jogador de futebol) chegou parece esquecida no meio dos grandes conflitos: “só sei que nada sei”.
O que acho mais interessante sobre a VERDADE (dos fatos, das coisas, da história etc etc etc), e agora é a minha vez de mostrar um pouco da minha, mesmo sem ter a intenção de convencer qualquer outro ser-com-suas-verdades a acreditar no que digo, é que se faz muito barulho pra pouca atitude. Sócrates preferiu beber um cálice de veneno para defender o que acreditava.Quem tomaria este cálice por sua verdade? O Governador? A polícia? Os estudantes da USP? Eu?
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